O PRIMEIRO ÁRABE A GENTE NUNCA ESQUECE

 

    Comecei a montar meio tarde, aos 25 anos de idade. Mas parece que fiz isso durante toda a minha vida. Como muitas outras pessoas, comecei simplesmente passeando com meu mangalarga mineiro. Mas logo o bichinho das competições de salto tomou conta de mim e eu queria um cavalo que pudesse me acompanhar. Olhei vários cavalos, mas em nenhum eu encontrei aquele "tchan", aquele algo mais que eu procurava. Em visita a um Haras eu vi, em um piquete, um garanhão árabe que logo chamava a atenção. Fiquei admirando sua exibição de longe pois pensava que nunca poderia ter um cavalo daqueles. Qual não foi minha surpresa quando o mesmo cavalo desembarcou de um trailer na hípica onde montava, trazido pelo meu marido. Só que era para ele, e não para mim. Foi aquela festa: cavalo novo chegando, todo mundo queria ver e montar. Mas quando eu passei minha perna por cima do dorso do Ambar (esse é seu nome), não teve mais p'rá ninguém. Estava certa de ele tinha que ser meu! A noite, eu sonhei com ele e de madrugada acordei meu marido dizendo:

     -"Você tem que dar o Ambar pra mim!"

       Depois de uma semana ele não teve escolha, me deu o cavalo. E desde então, todos dizem que nós formamos um lindo conjunto, apesar de já termos passado por fases difíceis, como todos os amigos passam. Também já ganhamos muitas provas de hipismo rural e clássico. E, mesmo que seja pra fazer um passeio, não existe cavalo que me dê mais prazer em montá-lo! Estamos juntos há 5 anos e há muito ele é capaz de adivinhar meus pensamentos. Apesar de nem sempre obedecê-los! Hoje eu tenho outros cavalos, mas nenhum como o Ambar.

        Ele já não pula mais, mas consegui tirar uma cria sua e o Akin (seu filho) já me enche de alegria com seu jeito maroto de brincar e correr, igualzinho ao pai! O Ambar eu não vendo, não troco e não alugo. Quero ele bem pertinho de mim até o fim da vida!

LUCÍOLA BARBOSA
FLORIANÓPOLIS - SC