Nome: Bernardo de Cardoso Resende Alves.
Data de nascimento: 20/11/1974.
Cidade: Belo Horizonte - MG.
Há quanto tempo monta: 31 anos.
Local: Bélgica.
Categoria: Sênior.

Um dos maiores talentos do hipismo, Bernardo Cardoso de Resende Alves, começou a montar aos 6 anos de idade no CEPEL, em Belo Horizonte. Desde novo sempre demonstrou talento para o esporte conquistando diversos títulos em todas as categorias. No Brasil ganhou o apelido de “Papa Carros” por ser o cavaleiro com o maior número de carros ganhos em concursos. Radicado na Europa há 11 anos Bernardo participou de quatro edições de Jogos Pan-Americanos, conquistou a medalha de ouro com a equipe de saltos em Winnipeg 1999 e Rio 2007, e a medalha de bronze nos Jogos de Santo Domingo em 2003. Participou dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 e obteve diversos resultados expressivos em concursos internacionais na Europa e no Brasil.
Aos 37 anos Bernardo está pronto para mais um desafio conquistar um lugar na equipe e ir em busca da tão sonhada medalha nos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Horse World Brasil: Conte um pouco sobre a sua trajetória no hipismo. Como você começou a montar, em que ano e incentivado por quem.
Bernardo Resende Alves: Eu comecei a montar aos seis anos de idade, em 1981, por incentivo dos meus pais. A gente tinha uma fazenda próxima ao CEPEL (Centro de Preparação Equestre da Lagoa), em Belo Horizonte, e nos finais de semana eu sempre ia para fazenda e passava em frente ao clube hípico e via o pessoal montando até o dia que meu pai perguntou se eu não queria montar.

H.W.B: Em que ano você foi morar na Europa?
B.A:
Eu mudei para Europa em 1981, vai fazer 11 anos agora.

H.W.B: Porque você se mudou para Europa e como você avalia essa experiência?
B.A:
Uma vez eu pedi ao Jorge Johannpeter arrumar um cavalo de Grande Prêmio para mim. Na época eu só tinha o Tuco Tuco aqui no Brasil, mas ele era um cavalo com muita idade e ele me falou que poderia me arrumar esse cavalo, mas eu teria que ir para Europa. Para ele eu tinha que reciclar e conhecer o que tinha de mais importante e acho que foi a melhor decisão que eu tive ate hoje.


Bernardo Alves em uma das etapas do Global Champions Tour

H.W.B: Atualmente aonde você esta montando?
B.A:
Hoje eu monto em um Haras em Gerpinnes na Bélgica, mas estou mudando para outro que é bem próximo da minha casa. É um manège espetacular e eu acredito que já estarei lá com meus cavalos no próximo mês.

H.W.B: Como e o seu dia a dia entre os prêmios e concursos?
B.A:
Normalmente na Europa a gente tem concursos todos os finais de semana, então os cavalos em casa estão só trabalhando, eles quase não têm muito o que treinar. Não dá tempo e os concursos são seguidos, então o máximo que a gente faz é uma ginástica, um percurso um pouco menor, porque na Europa os concursos acontecem praticamente todos os finais de semana. Como a gente fala na Europa é o warm up, que é um treino dentro de percurso dentro do próprio concurso e buscando sempre a premiação final que é a do Grande Prêmio.

H.W.B: Atualmente você dá aulas ou só está montando?
B.A:
Eu dou aula para alguns belgas, mas são pessoas mais novas. Eles vêm uma vez semana ao Haras e eu dou aula a tarde toda. Eu também dou assessoria a um haras que está começando, que é o haras da égua Pampa des Dames, égua que o Totty monta e eu montei no Brasil, no concurso do Rio de Janeiro.


Bernardo com a filha Julia

H.W.B: Quando você não está montando você costuma fazer o que?
B.A:
Hoje em dia quando eu não estou montando eu fico mais em casa com a minha filha.

H.W.B: E ela também gosta de cavalos?
B.A:
Ela está começando a gostar. Ela só tem três anos e meio e como meu haras fica muito longe,ela vai muito pouco, agora mudando para o novo haras eu acho que ela vai se animar.

H.W.B: Fale um pouco sobre os cavalos que você está montando e sobre a égua Bridgit com a qual você ganhou o Pan-Americano.
B.A:
A Bridgit é o meu principal cavalo e eu tenho ainda um outro cavalo que pode ser que tenha muita chance esse ano, mas eu ainda não posso contar com ele para as olimpíadas, porque é um cavalo que esta voltando de uma lesão muito grande, mas eu até deixo meio em surpresa, porque se tudo der certo será “o cavalo”. Mas esse ano eu deposito toda a minha esperança na Brigit e espero que ela esteja em forma para tentar uma vaga nas olimpíadas. Ano passado ela foi fantástica. Veio de uma lesão, mas conseguiu ficar boa a tempo, então para mim foi muito gratificante. Esse ano eu acho que se tudo correr bem e se eu conseguir fazer um bom programa de concurso (pois ela não precisa provar mais nada para ninguém), então penso que, se ela atingir a melhor condição e chegar na melhor forma, vai poder integrar essa equipe.


Bernardo com a égua Bridgit nos Jogos Pan-Americanos

H.W.B: Na sua opinião e imprescindível que os cavaleiros e amazonas que pretendem se tornar profissionais se mudem para o exterior?
B.A:
Não e imprescindível, mas eu acredito que o que tem de melhor está lá fora. Então eu acho que podendo ter um pouco de contato, pode ser fazendo clínicas no Brasil ou mesmo ir para o exterior passar uma temporada, já é sem duvida nenhuma muito importante.

H.W.B: Quais são as maiores dificuldades que os cavaleiros e amazonas encontram quando se mudam para Europa?
B.A:
Com certeza é o circuito indoor. Não estamos acostumados com ele no Brasil, isso a gente pode ver pelos resultados da Copa do Mundo. Nunca um brasileiro chegou a uma final de Copa do Mundo, exceto aqueles que montavam na Europa, então daí vem a grande diferenç.

H.W.B: Fale um pouco sobre o seu excelente desempenho durante o pan e como você avalia o desempenho da equipe brasileira.
B.A:
Eu acho que foi fantástico! Eu realmente esperava por um bom resultado, claro que não posso dizer que imaginava que era garantido conquistar uma medalha, mas eu tinha muita expectativa com a Bridgit, eu sabia que era o concurso dela. Foi feito um programa, ela conseguiu chegar em forma eu tive todo o apoio da CBH e do meu proprietário, então deu tudo certo e eu fiquei muito feliz com o resultado.
Quanto à equipe, nós pegamos pela primeira vez os EUA completo e a gente com uma equipe sem os dois melhores cavalos, que era o cavalo do Rodrigo e o cavalo do Doda. Então eu penso que a gente se saiu muito bem e que a medalha de prata estava de bom tamanho pra gente.


Bernardo Alves representando o Brasil nos Jogos Pan-Americanos

H.W.B: E como está a sua preparação para pos Jogos Olímpicos de Londres?
B.A:
Por enquanto está bem tranqüila, eu estou voltando à Bridgit, ela esta entrando em forma de novo e por isso que estou no Brasil agora. Eu não quis fazer os concursos indoors no início do ano, então eu fiquei mais tranqüilo. Agora em abril e maio eu vou começar a fazer minha programação e voltar as competições.

H.W.B: Na sua opinião quem são os fortes concorrentes a medalha e quais são as suas expectativas
B.A:
Os favoritos são os de sempre: Alemanha, Estados Unidos e França, que foi medalha de prata no último Mundial, mas no nosso esporte a gente sabe que tudo depende muito do dia. Principalmente no resultado de equipes, que não é só o resultado de um que conta, os quatro conjuntos precisam estar impecáveis. Mas eu acredito que o Brasil hoje tem chance de ter uma equipe forte é claro que a base da equipe não será muito diferente da equipe dos Jogos Pan-Americanos, não tem como mudar de um ano para o outro uma equipe. O Doda hoje, com certeza, vai estar na equipe com os resultados que ele tem e com o melhor cavalo que ele não levou para o Pan-Americano.
O Brasil tem muita chance, mesmo depois do resultado do Mundial no qual a gente ficou em quarto lugar. Podemos acreditar que se formarmos a melhor equipe poderemos brigar por uma medalha.


Bernardo Alves e Chupa Chup ganharam a terceira prova válida para o
Global Champions Tour em Hamburgo em 2009

H.W.B: E o que você achou dos critérios adotados pela Confederação Brasileira de Hipismo para escolha da equipe?
B.A:
A gente sabe da briga que há no Brasil, sabemos que alguns cavaleiros sentem-se injustiçados, uma vez que só os brasileiros que moram na Europa (somos até de europeus por isso) participam da equipe. Mas a realidade é essa no futebol e nos grandes esportes. Se os melhores jogadores estão lá fora, por quê razão no hipismo seria diferente? Independente do Pan-Americano ser uma competição mais fraca do que as olimpíadas, por que não levar o melhor time? Eu até acho que não seria necessário essa seletiva no Brasil, para mim todas as seletivas deveriam ser feitas lá fora. Claro que tem a questão da verba, se todos tem condições de ir ou se é possível viabilizar isso, mas com certeza os melhores estão lá fora, os melhores concursos e nos temos que formar e a melhor equipe.

H.W.B: E qual a foi a maior lição que você aprendeu com o hipismo?
B.A:
No hipismo a gente precisa ser humilde, porque não depende só da gente, depende principalmente do cavalo. Então eu acho que aquele negócio de hoje eu ganhei uma prova, não quer dizer que amanhã você também vai ganhar. Esse é um esporte mais inconstante de resultados é o hipismo, porque não depende só da gente. É preciso saber respeitar o cavalo, nunca podemos desprezar uma pista ou um percurso, porque a gente nunca sabe o que vai acontecer e qual o conjunto que vai decidir tudo, pois nesse conjunto um pode estar bem o outro pode não estar.

H.W.B: E para finalizar a entrevista qual a mensagem que você deixaria para os cavaleiros e as amazonas que têm você como ídolo e pretendem um dia chegar aonde você chegou?
B.A:
Podem acreditar e podem trabalhar para isso. Eu, com certeza, sai do nada, comecei realmente de baixo e busquei dar o meu máximo. Tudo o que eu conquistei foi resultado de muito trabalho e, hoje eu posso dizer que a minha posição e mérito são devidos à muita disciplina, muita humildade em tudo e o mais importante saber perder, porque nesse esporte a gente perde muito mais do que ganha.


Bernardo Alves exibe a medalha de bronze conquistada na prova individual do hipismo.


BATE BOLA:

Uma qualidade: Frieza
Um defeito: Roer as unhas.
Cavalo Especial: Bridgit.
Filme: Ben Hur.
Um sonho: Uma medalha Olímpica.
Se não fosse cavaleiro, seria: Tenista.
Quem é Bernardo: Bernardo é um mineiro que batalhou muito para conseguir tudo isso que eu realizei, de poder um dia montar na Europa e é uma pessoa muito bem realizada com o esporte e com a profissão.

* Entrevista realizada em Abril / 2012. Fotos: Cedidas / Arquivo pessoal de Bernardo Alves - Jefferson Bernardes e Global Champions Tour.